Solitário (s)

semáforo

Desde pequenos, nós sempre somos colocados a viver com outras pessoas. Talvez tenha existido um tempo em que o ser humano não existia dentro de uma sociedade. Talvez não. O fato é: estamos constantemente envolvidos pelos outros. Apesar disso, nunca me disseram que, conforme passam os anos e você vai crescendo, as pessoas vão se tornando cada vez mais solitárias. Será que é assim mesmo como a vida deveria ser aproveitada? Como faço para ter certeza do que estou vivendo?

Os dias passam, os indivíduos parecem andar cada vez mais depressa, mais ansiosos para chegar em um lugar que nunca alcançarão, porque sempre existirá o próximo, e o próximo depois do próximo, e o próximo depois do próximo do próximo, assim como existe, após nascer, o estágio de crescer, andar, estudar, trabalhar, envelhecer, até que o ponto final deixe de ser a nossa própria casa no fim do dia para ser o dia da nossa própria morte.

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As pessoas não se olham mais no fundo dos olhos quando cruzam com os outros ou quando dirigem à palavra a alguém. Se esbarram sem pedir desculpas e se acostumam com as coisas do jeito que são. Ninguém mais parece reparar em um sorriso de uma criança num vagão de metrô com diversas pessoas, por exemplo. As páginas do calendário de parede vão sendo passadas para trás, mas cada dia parece ser cada vez menos marcante, cada vez menos único, como em uma máquina de produção em massa, os dias indo em modo automático. Talvez seja um processo gradual no final das contas, deixando de fazer uma coisa ali, deixando de agradecer aqui, deixando de sorrir ali para simplesmente se fechar no seu próprio mundo. Em um lugar em que o teclar dos dedos e as relações e imagens virtuais importam muito mais do que a vida vivida.

Deixamos de nos importar com a comida que ingerimos, apenas nos preocupando na forma mais efetiva de consumi-la para que assim possamos realizar rapidamente a próxima tarefa do nosso dia (e até querendo rapidamente que aquilo acabe logo). Estamos constantemente pensando nos dias futuros, sem olhar para os presentes que passam diante dos nossos olhos sem percebermos ou prestarmos a devida atenção a eles… Preferimos o lado esquerdo da escada do metrô para ir mais rápido do que outras pessoas (em uma constante e ilusória competição) e chegarmos ao nosso destino da forma mais veloz possível, mesmo que tenhamos horas de sobra. Dessa forma, cada vez mais coisas, pessoas, momentos, objetos preciosos são deixados para trás.

Talvez por isso também, algumas pessoas estejam se sentindo cada vez vazias…

A população pode estar crescendo, mas é como se cada um de nós estivesse se tornando cada vez mais solitário e desvinculado dos outros.

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