Só pra não dizer que não falei dos mendigos

(Imagem)

Sinceramente, se me perguntassem se eu gostaria de morar na grande cidade de São Paulo, eu responderia que não. Para alguns essa resposta pode parecer estranha. Para outros, não. Eu sei, é um grande centro comercial, há várias coisas interessantes para se fazer nela, pessoas diferentes para se conhecer. Mas, ao mesmo tempo… Bem, tudo tem sua parte obscura.

Sempre que vou visitar a cidade (o que foi o caso do dia de hoje) eu não consigo deixar de reparar em toda a energia negativa que de certa forma ela parece atrair. Eu sei, pode parecer uma coisa da minha cabeça, porém, lá no fundo, eu sei que não é.

Apesar de ter consciência de que isso ocorre em várias outras cidades, inclusive na minha (o que me deixa mais triste e desanimada ainda),parece que todas as coisas adquirem tons de cinza ao ver, diante dos meus olhos, lixo, pessoas dormindo em lugares inapropriados (talvez morrendo de fome ou frio enquanto escrevo essas palavras) e, acima de tudo, a reação dos outros ao redor, parecendo agir (ou tentando) como se nada daquilo estivesse acontecendo.

Mas aí é que está. Por que nós precisamos fingir? Será que ver todas essas “falhas” da realidade afeta tanto assim o nosso ego, a imagem que temos da própria realidade?

Por que ao nos deparamos com esse tipo de situação nosso primeiro instinto é desviar os olhos? Por que temos tanto medo de encarar o que resultou de tudo isso que nós mesmos como sociedade geramos?

Calma, eu não estou dizendo que a culpa daquele mendigo estar naquela condição seja sua. Mas, pense bem, não falam que quando uma testemunha não denuncia algum crime ela é tão culpada quanto o próprio criminoso? Isso não se aplicaria a essa situação que estamos tratando também?

Sempre me pego pensando nisso e concluí que talvez a resposta para todas essas perguntas seja sim.

Sim, nós temos medo de encarar esses desvios. Sim, nós temos medo de acabar em uma situação parecida. Sim, nós temos medo de fazer alguma coisa para solucionar com medo de que acabemos sendo nós os prejudicados, mesmo eu e você sabendo que, se algo acontecesse, provavelmente a culpa não seria do pobre coitado que está ali sem lugar para dormir ou sem comida para se alimentar.

Sim, talvez nós tenhamos medo de reconhecer a desigualdade escancarada na nossa cara, e não em um livro de escola ou na tela da televisão. E SIM, lá no fundo isso nos incomoda.

Não sei com vocês, mas EU nunca vi alguém parar perto de um mendigo e oferecer ajuda. Gastar um pouco do seu tempo que fosse para encará-lo, para oferecer algo para comer, algo para beber ou até mesmo para dizer palavras de consolo que o encham de esperança. Se você faz isso ótimo, parabéns, acho que posso dizer que você está agindo como um “verdadeiro ser humano”. Se não (assim como eu), por que não?

Mas nós podemos pensar numa solução, não podemos? Nós podemos NÃO NOS CONFORMAR com tal situação e lutar juntos para que isso não afete mais ninguém nesse mundo. Porque, meu caro, você precisa concordar comigo que a chance daquela pessoa estar no meio disso tudo por culpa dele/dela é extremamente ínfima se não nula.

E é por isso que lanço aqui a minha pergunta: O que você sente ao ver um mendigo? Ou talvez a melhor opção seja: O que nós deveríamos sentir ao ver um mendigo? Ao ver um ser humano, a nossa semelhança, em sua situação tão diferente da nossa?

(Já deixo claro que meu objetivo aqui não é responder nenhuma questão sozinha e de forma definitiva, mas sim promover o questionamento e o pensamento nem que por alguns minutos apenas.)

Falando nisso, devo dizer que percebi que a “variedade” é bem grande até mesmo dentro do grupo. Vi pessoas que não pareciam pertencer àquele lugar. Vi uma pessoa mais idosa com a perna quebrada encostada em um “monumento” conversando com um cara fumante sem camisa. Vi dois caras que não devem ser mais velhos do que o meu pai prestes a dividir uma comida que vinha em uma pequena embalagem quadrada de isopor. (E com certeza deve haver alguma criança ou cachorro passando fome por aí também, já que isso geralmente promove ainda maior abalo…)

Engraçado que no mesmo dia também vi estrangeiros. Também vi pessoas na mesma condição financeira que eu. Pessoas que tem uma “vida boa” e acesso a tudo o que é necessário ao conceito mais básico de vida: comida, moradia, saúde…

Em resumo o que quero dizer é: não devemos julgar ninguém pela situação em que se encontram, mas devemos SIM nos tornar conscientes dos motivos que podem causá-las e lutar para eliminá-los de uma vez por todas.

Afinal, somos todos seres humanos.

 

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