Sofrer por amor virou uma fraqueza?

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Eram 19h. Estava em casa deitada na cama, sem nada para fazer. O que eu poderia fazer? Estava chovendo desde manhã e, por isso, não pude ir com meus amigos até o parque mais próximo de casa.

E agora lá estava eu, totalmente entediada. Tudo o que eu fazia para tentar me distrair era mexer no meu celular, checando as redes sociais.

Mas eu sabia que, mesmo numa situação dessas, eu estaria bem longe, fazendo outra coisa (provavelmente bem mais divertida do que ficar em casa), mas os tempos haviam mudado. Havia um motivo para eu ter convidado meus amigos para saírem comigo, mesmo depois de tanto tempo.

Numa hora daquelas, eu estaria passando meu tempo com aquela pessoa e provavelmente sorrindo. Nós provavelmente estaríamos passeando por aí juntos debaixo de um grande guarda-chuva que suportasse nós dois sob seus cuidados (ou talvez, nem tão grande assim…) ou até mesmo vendo filmes debaixo de um cobertor quentinho, comendo pipoca e tomando chocolate quente preparados por ele.

Como eu sentia saudades de tudo aquilo…

Mesmo sem ter chorado, mesmo sem ter demonstrado sequer uma única emoção, as pessoas mais próximas de mim sabiam o que estava acontecendo. “Como você é forte”, algumas delas diziam depois de entenderem.

Mas a verdade, a grande verdade, era que a última coisa que eu me sentia era forte. Todo mundo parecia achar que eu já havia superado, que aquilo eram águas passadas, como sempre fora para mim.

Porém, daquela vez, havia sido diferente. Acho que eu finalmente entendi o que é “mergulhar completamente” em uma relação com alguém. E olha como eu estava agora, totalmente perdida. Eu tinha consciência de que era perda de tempo lembrar dos velhos tempos e continuar desejando que aqueles momentos felizes pudessem se repetir mais uma vez, nem que fosse pela última vez. Mesmo assim, não conseguia evitar essas emoções, esses sentimentos tão intensos que estava sentindo…

Agora eu era como um poço vazio, tudo aquilo pelo que eu prezava, tudo aquilo que eu queria proteger parecia ter sido tirado de mim, mesmo depois de tanto trabalho. Nosso término não havia sido nada dramático ou coisa do tipo, mas talvez mais como uma separação necessária… Eu tentei argumentar, eu tentei dizer que poderíamos superar aquilo juntos, mesmo que parecesse a coisa mais impossível do mundo…

Mas meus esforços foram em vão, pois ele já estava decidido com a sua escolha e podia perceber pelo seu olhar naquele dia que nada, nem mesmo eu, poderia mudar isso.

“Como é frágil o amor…”, pensei, e logo depois tive a ideia de publicar isso em uma rede social, mais especificamente, no instagram. Eu sabia que aquele tipo de coisa poderia não ser muito comum no feed das pessoas, mas eu sabia também que estava cansada de esconder minhas emoções, de agir como se fosse um robô idiota sem sentimentos, quando, na verdade, a situação era justamente o contrário.

Eu estava cansada de negar o que eu realmente sentia.

Tudo bem, agora só precisava de uma foto… Vasculhei meu quarto com os olhos procurando alguma coisa que pudesse servir, mas que não fosse muito óbvio (como a pelúcia que ele havia me dado no nosso primeiro ano de namoro e que, precisava confessar, eu ainda apertava toda noite enquanto dormia).

Até que pude sentir uma rosa vermelha em um vaso de vidro em cima da minha mesa pedindo por atenção. Seu vermelho me lembrava do pulsar de meu coração quando eu o encontrava ou do toque das suas mãos junto às minhas.

Achei aquilo perfeito e tirei a foto. Tudo bem, não era uma declaração explícita do que estava dentro de mim, mas sabia que as pessoas que mais me conheciam iriam entender o que eu queria dizer.

Depois de mais alguns minutos, publiquei e esperei para ver como seria a reação das pessoas, enquanto continuava atualizando meu feed de 5 em 5 minutos.

Para a minha surpresa, as notificações demoraram muito mais do que o normal para aparecerem (imaginei que as pessoas que me seguiam estivessem ocupadas. Não poderia culpá-las também, afinal, era uma sexta-feira de noite), porém, quando finalmente apareceram, percebi que não eram coisas tão boas assim.

Logo percebi comentários do tipo:

Nossa, desde quando você é tão melosa?

Não me lembrava que você era tão sentimental assim.

Coitada parece que ainda não superou.

Que tipo de pessoa ainda sofre por amor nos dias de hoje? Isso é tão brega!

O que era aquilo? Algum tipo de brincadeira? Eu era melosa, sim, mas e daí? Não podia? Onde estava escrito que eu não poderia assumir minha posição como ser humano por acaso?

Os comentários continuaram por mais meia hora. Enquanto isso, algo dentro de mim continuava a crescer, cada vez mais e mais.

Até que escrevi:

Vocês não entendem? Mesmo quando eu estou sofrendo, mesmo quando estou fazendo o máximo que posso para suportar todas essas emoções, vocês ainda me criticam? O que há de errado com vocês?

Querem saber? De qualquer forma, eu não ligo. Eu não ligo, pois já cansei de passar tanto tempo esperando que alguém notasse as minhas lágrimas, o meu remoer por dentro, que alguém oferecesse sua ajuda, suas palavras, dizendo: “Eu sei muito bem o que você está sentindo…”, mas quem disse que isso aconteceu?

Mesmo depois disso, a discussão continuou, parecendo não ter fim… Mas nem liguei, desativei as notificações para aquela publicação de uma vez e resolvi ligar a televisão para assistir algum filme. Eu já havia me pronunciado e não me importava o que as pessoas viessem a dizer da minha vida. Se não entendiam a minha situação, era melhor que se calassem de uma vez.

Porque, afinal, quem havia dito que sofrer por amor virara uma fraqueza?

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