Desperdício, privilégio e agradecendo pela coisa certa

(Imagem: Fonte / Para saber mais)

Faz uns anos já que eu estou determinada a nunca desperdiçar comida. Sério, é uma coisa que eu abomino demais e que, se você convive comigo diariamente parar para perceber, eu nunca faço (tirando as raras exceções em que eu me sinto muito mal por deixar comida no prato com medo de acabar vomitando de tão cheia). E esse fato me lembra um famoso ditado que tenho certeza de que você já deve ter ouvido pelo menos uma vez na vida: “Enquanto você reclama/desperdiça comida, uma criança na África mal tem o que comer”. Eu sei que a intenção de muitos desses pais é procurar educar os seus filhos a se alimentarem bem ou até mesmo a darem mais valor para o que tem, mas, ao mesmo tempo, já parou para pensar que essa pequena fala também serve como indício para afirmar que o simples ato de se alimentar virou, de certa forma, um privilégio?

E desde quando comer (uma coisa tão básica e necessária para um ser vivo) virou um privilégio?

Quem decidiu que eu teria a oportunidade de poder me alimentar (e muito bem, obrigada), e muitos outros não? O que eu tenho de tão diferente daquela pessoa que, seja lá de onde for, não tem acesso à água tratada, saneamento básico, educação e, acima de tudo, comida? Quem faz essas escolhas?

Seguindo essa linha de raciocínio, todos deveriam ser escolhidos para disporem dessas coisas essenciais à vida. Ou melhor, ninguém deveria ter de ser escolhido.

Portanto, hoje venho fazer uma proposta aos pais que eventualmente podem estar lendo o que eu escrevo, ou até mesmo para nós, jovens, que, um dia, seremos, junto com muitas outras pessoas, “o futuro desse mundo”.

Ao invés de passar a imagem aos seus filhos de que comer é um privilégio desfrutado por eles e ensiná-los a agradecer por este concedimento dado por alguém que o escolheu dentre outras tantas crianças, ensine-o a agradecer pelas tantas pessoas que se envolveram para que aquele alimento, aquele prato, aquele momento pudesse estar ao alcance dele. Nisso, incluo você que, tenho certeza, deve pensar nele toda vez que a hora de uma refeição está próxima. Além das pessoas que trabalharam colhendo aquela salada comercializada e, posteriormente, preparada por você ou pelo cozinheiro do restaurante que frequentam.

Eu realmente acredito que ser uma pessoa grata faz bem e nos torna muito mais compreensivos uns com os outros, fazendo-nos julgar menos e ver melhor as coisas pelo seu outro lado.

Claro que eu não tenho a menor autoridade para dizer ou não o que você deve fazer e de que maneira a educação do seu filho deve ser feita, mas se pelo menos eu fiz com que você parasse para pensar melhor sobre isso, eu já estarei satisfeita.

Obrigada pela comida (e pela atenção)

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