Da nossa necessidade em sermos melhores do que os outros 

Olá! Tudo bem com você? (Mesmo?) Como foi o seu dia?

Antes de começar esse post, quero contar uma pequena história para vocês. Imaginem a seguinte situação: Um grupo de jovens que estão vivendo o mesmo momento, passando por uma coisa incrível. Uma viagem internacional. E, nesse grupo, nós temos as famosas “panelinhas”, ou seja, cada um possui seus próprios amigos ou pessoas mais próximas dentro dele. Até que chega um determinado período da viagem em que visitam uma cidade linda e charmosa por si só. Nela, eles percebem que é possível encontrar em vários pontos turísticos certas “moedas” colecionáveis. Por causa disso, começa a rolar uma certa competição entre algumas pessoas do grupo, disputando quem acha mais moedas ou quem tem mais.

Conseguiu imaginar? Agora pense em uma situação da sua vida em que algo parecido tenha acontecido, qualquer que seja a “coisa” ou “mérito” que estavam disputando.

Tenho certeza de que não deve ter sido muito difícil. Mas, a questão é: Por que isso sempre acontece?

Vou contar um segredo: Os seres humanos possuem uma certa necessidade em se sentir, nem que sejam por míseros segundos, um pouquinho melhores do que os outros. Os motivos? Ora, alguns são mais fáceis de se dizer: Nos sentirmos melhores do que alguém (quem quer que seja) exalta o nosso ego e orgulho, e faz com que algumas delas se sintam um pouco menos pior consigo mesmas.

É uma questão que também tem muito a ver com a busca de sua identidade. As pessoas querem se sentir especiais. Algumas conseguem fazer isso sem ter que ficar se sobrepondo às outras. Porém, pelo que tenho visto ao meu redor, a maioria delas ainda precisa se utilizar desse mecanismo para isso.

Também não vou dizer que isso abrange todos os casos, mas muitas vezes eu penso que as pessoas tentam se colocar como melhores do que as outras, simplesmente porque não estão satisfeitas consigo mesmas. É aquela velha história de “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. As pessoas fingem tanto que realmente acreditam no que estão proferindo, porque acham que isso vai acabar se tornando realidade uma hora ou outra. Mas nem sempre é assim. Quem disse que é assim? (E quem disse que não?)

E quando trato desse assunto, não estou dizendo apenas de algumas simples moedas de lembranças ou da nota que você tirou naquela prova que foi super bem. Acho que é perceptível o quanto algumas pessoas não conseguem entender que sua religião ou seus valores não são melhores ou não fazem delas melhores do que as outras. Aliás, essa é uma das questões que a antropologia tentar resolver até os dias atuais, aplicando o que acontece com as pessoas a suas culturas.


“Talvez a igualdade entre os homens não passe de um sonho. Entre a igualdade jurídica do Iluminismo, a igualdade econômica do Socialismo e a igualdade de valores do capitalismo globalizado, sempre há grupos sociais que procuram se distinguir dos demais. Se existe, em algumas esferas, sentimentos de igualdade, em outras prevalece o de desigualdade. Por isso, a Antropologia atual é obrigada a conviver com essa situação complexa: acredita-se que todas as culturas humanas são equivalentes (e apenas diferentes entre si) e, ao mesmo tempo, sabe-se que certos grupos buscam uma diferenciação, ou seja, buscam espaço no seio da cultura dominante. Não é tarefa fácil resolver esse problema.”

– Retirado do meu livro de Sociologia – volume 1 -pág 21


Além disso, observando, eu acabei percebendo que certos adultos insistem em fazer isso. (Afinal, quem disse que idade é maturidade?) Para falar bem a verdade, quando eu era menor, eu sempre ouvia minha tia conversando com a minha mãe, e tinha a impressão de que ela vivia tentando colocar o meu primo da minha idade acima de mim. Nós éramos de escolas diferentes, e não havia problema algum nisso. É uma escolha dela e do meu tio o lugar onde eles colocam seus filhos para estudar e de mais ninguém. Ninguém precisa ser contra ou a favor disso também. Infelizmente, minha mãe às vezes acaba indo nessa onda. EU já tentei me sobrepor a ele, claro, afinal, “eu estava em uma escola difícil com muitas tarefas e uma prova por semana, o que me obrigava a ficar estudando nos finais de semana. A matéria que eu aprendia era sempre a mais difícil” (olha o nível do pensamento)

Não, eu não estou sendo hipócrita ao escrever esse texto. Como você, e como todas as pessoas desse planeta e quem sabe de outros, eu também sou um ser humano. Eu também cometo erros. Eu também me arrependo. E acho que posso dizer que é um dos meus maiores arrependimentos ter tentado algum dia seguir esse fluxo. Ainda bem que a distância que sempre acabei mantendo dessa parte da minha família me ajudou a sair dele. Porque eu sei que, uma vez que você entra nele, é difícil sair.

Mas não é impossível.

E é para isso que serve esse texto. Para nos lembrar de que, não, ser diferente não torna você melhor do que alguém. E não há nada de errado nisso.

Portanto, antes de terminar esse post, quero colocar um questionamento: Será que isso que vemos tão perto de nós não seria também um dos motivos para os grandes acontecimentos que tomamos conhecimento pelas notícias? Será que tudo isso não passa de uma questão de base?

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