Solitário (s)

semáforo

Desde pequenos, nós sempre somos colocados a viver com outras pessoas. Talvez tenha existido um tempo em que o ser humano não existia dentro de uma sociedade. Talvez não. O fato é: estamos constantemente envolvidos pelos outros. Apesar disso, nunca me disseram que, conforme passam os anos e você vai crescendo, as pessoas vão se tornando cada vez mais solitárias. Será que é assim mesmo como a vida deveria ser aproveitada? Como faço para ter certeza do que estou vivendo?

Os dias passam, os indivíduos parecem andar cada vez mais depressa, mais ansiosos para chegar em um lugar que nunca alcançarão, porque sempre existirá o próximo, e o próximo depois do próximo, e o próximo depois do próximo do próximo, assim como existe, após nascer, o estágio de crescer, andar, estudar, trabalhar, envelhecer, até que o ponto final deixe de ser a nossa própria casa no fim do dia para ser o dia da nossa própria morte.

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As pessoas não se olham mais no fundo dos olhos quando cruzam com os outros ou quando dirigem à palavra a alguém. Se esbarram sem pedir desculpas e se acostumam com as coisas do jeito que são. Ninguém mais parece reparar em um sorriso de uma criança num vagão de metrô com diversas pessoas, por exemplo. As páginas do calendário de parede vão sendo passadas para trás, mas cada dia parece ser cada vez menos marcante, cada vez menos único, como em uma máquina de produção em massa, os dias indo em modo automático. Talvez seja um processo gradual no final das contas, deixando de fazer uma coisa ali, deixando de agradecer aqui, deixando de sorrir ali para simplesmente se fechar no seu próprio mundo. Em um lugar em que o teclar dos dedos e as relações e imagens virtuais importam muito mais do que a vida vivida.

Deixamos de nos importar com a comida que ingerimos, apenas nos preocupando na forma mais efetiva de consumi-la para que assim possamos realizar rapidamente a próxima tarefa do nosso dia (e até querendo rapidamente que aquilo acabe logo). Estamos constantemente pensando nos dias futuros, sem olhar para os presentes que passam diante dos nossos olhos sem percebermos ou prestarmos a devida atenção a eles… Preferimos o lado esquerdo da escada do metrô para ir mais rápido do que outras pessoas (em uma constante e ilusória competição) e chegarmos ao nosso destino da forma mais veloz possível, mesmo que tenhamos horas de sobra. Dessa forma, cada vez mais coisas, pessoas, momentos, objetos preciosos são deixados para trás.

Talvez por isso também, algumas pessoas estejam se sentindo cada vez vazias…

A população pode estar crescendo, mas é como se cada um de nós estivesse se tornando cada vez mais solitário e desvinculado dos outros.

Falando sobre o meu novo projeto: Watashi no kokoro, unlock <3

Primeiramente: Olá, flores lindas! Como vocês estão? Sei que faz um tempinho que não apareço por aqui e peço desculpas por isso, mesmo já avisando desde o começo que provavelmente não conseguiria manter uma certa frequência por aqui <//3 Mas espero que entendam e que estejam realmente bem 💜💜

Faz mais ou menos um mês que consegui terminar de organizar (apesar de não na totalidade) um projeto pessoal meu que acho que pode acabar ajudando outras pessoas, e hoje vim falar sobre ele ❤

Não sei se alguém reparou, mas foi criada uma nova página dentre as que já existiam nesse blog. O nome dela vocês já viram no título.

Mas, afinal, o que isso quer dizer e para que foi criada?

Eu expliquei tudo direitinho nela, mas, basicamente, Watashi no kokoro: unlock (que significa em tradução livre “Meu próprio coração: destrave”) é um espaço que resolvi abrir em uma das minhas contas do tumblr para ouvir desabafos das pessoas e fazer com que elas se sintam mais leves e/ou acolhidas.

Sei que a vida vive aprontando com a gente colocando obstáculos e obstáculos para que possamos provar e nos certificar do quão fortes somos, mas também sei que nem sempre as coisas se mostram tão fáceis assim de serem superadas.

E é por isso que criei tudo isso, quero que as pessoas possam ter essa oportunidade de sentirem tais sensações, quero ser uma fonte, um alguém que tenta ajudá-las da melhor maneira possível.

Se você se identificou de certa forma com essa breve descrição, dá uma olhadinha na aba aqui mesmo, estarei esperando quem precisar ♡♡

Bom, basicamente é isso então.

Nunca se esqueçam do quanto vocês batalharam para chegar até aqui, ok?

Eu sei que vocês conseguem. Vai dar tudo certo, acreditem.

Tenham uma ótima semana 💛💛💛

Sobre ela

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Leia ouvindo: Whalien 52

(Curiosidade: A “baleia dos 52 hertz”, na qual foi inspirada essa música, é uma espécie conhecida como a “a mais solitária do mundo” dentre as de baleias pelo fato de seu canto estar em uma frequência (52 Hertz) muito acima da das outras, o que faz com que estas não a “ouçam”)

Poucos eram os que sabiam do seu gosto excêntrico para música. Menos ainda os que realmente se interessavam ou se importavam. Os que sabiam, a julgavam como algo “fora do comum”. Algo estranho, apenas por escutar músicas em outras línguas, com algum ritmo diferente, que não obedecia ao padrão ou gosto das outras…

Pouquíssimos eram, porém, os que imaginavam a real razão para ela gostar daquele tipo de música. Tudo bem, às vezes o simples ato de ser estimulado pelo ritmo ou de se identificar com a carga emocional que determinada canção nos passa a primeiro momento já nos faz gostar de uma música de cara.

Mas ouvir aquelas mesmas músicas todos os dias, sem se cansar de nenhuma delas, e, ainda, cantando baixinho junto de cada uma?

Não, às vezes muito mais do que uma simples primeira identificação.

Às vezes, as pessoas se sentem amigas das músicas. Acolhidas. Às vezes, muito mais até do que com as pessoas ao seu redor.

Às vezes, elas se sentem muito mais animadas e para cima com elas do que quando estão com seus amigos, por exemplo.

E isso é assustador.

E então? O que você acha que está errado aqui agora?

Pouquíssimos eram os que sabiam que aquelas manifestações de som faziam ela se sentir muito melhor, quase como se fossem algo necessário para seu dia. Algo que fosse uma razão a mais para se levantar da cama. Como se estivessem dizendo que ela pode, sim, ser feliz e ter seus momentos de alegria e que elas iriam ajudá-la com isso.

(Parece tão fora da realidade assim?)

Sim, as músicas sempre estavam ali para ela. E todo o sentimento que elas passavam também continuavam sempre ali.

Ah, algumas pessoas, infelizmente, nunca saberiam mesmo de como era aquele sentimento.

Para quê? Seria mais fácil assumir como uma “fase” ou adotá-la como uma estranha, não é mesmo? Exclui-lá do grupo, tratar como uma aberração etc.

Não se engane, algumas coisas estão implícitas e podem ter um impacto muito maior do que você imagina.

Desculpe, mas não é uma fase então, não, talvez ela nunca passe.

Seria ilusão dela se apegar tanto assim a alguma coisa que ama?

“Ah, pode zombar. Você nunca gostou tanto assim de alguma coisa?”

– Como eu era antes de você

Tenho algumas coisas a compartilhar…

(Imagem)

Olá! Como todos vocês estão? Espero que muito bem *-* Sei que dei uma pequena sumida, mas, como já disse anteriormente, não tinha estabelecido nenhuma frequência determinada quanto a esse blog… Quero apenas que seja como uma espécie de refúgio e espaço aberto onde possamos compartilhar experiências e amor 🙂

Então sem muitas delongas, vamos direto ao ponto.

Para falar a verdade, eu lembro que a ideia inicial era compartilhar duas experiências, mas não lembro de qual era a segunda, então talvez fique por uma só mesmo hahaha (Se eu lembrar, comento depois)

Acabei de pensar até que dá para criar um quadro de posts assim, acho que seria bem interessante 🙂 Até consegui pensar em um nome (“Aconteceu comigo…” haha)

Mas, enfim, o que eu queria escrever aqui era que teve um dia (Estou tentando escrever de um jeito mais natural para que pareça uma conversa entre amigos mesmo, que é o que eu espero que pareça :)) que estava eu e mais 3 amigos meus na academia. Na verdade, primeiro fomos eu e dois deles. Como nosso amigo estava meio para baixo (problemas pessoais), nós paramos em uma área com uns sofás para sentar e tentar conversar com ele, talvez tentar fazer ele tirar aquele peso desabafando com a gente. Meu amigo sentou em um sofá e eu e minha outra amiga sentamos no chão. Até aí tudo bem.

Conversamos um pouco e depois nossa outra amiga chegou. Ao contrário de antes, o clima ficou um pouco mais descontraído, brincadeiras e animações à parte, até que teve um momento que minha amiga e essa outra que chegou começaram a “se debater”  e rir no chão.

Até que chegou um cara dizendo que nós estávamos agindo como crianças, e que nós iríamos ter que nos retirar se continuássemos, e que ele iria telefonar para nossos pais e blá blá blá

Sério, foi rir para não chorar.

Tudo bem, pode ser porque é pela minha visão, mas nós não estávamos INCOMODANDO ALGUÉM.

Não sei se deu para entender muito bem nem porque estou compartilhando isso aqui, só sei que esse episódio me deixou bem incomodada na época (e ainda deixa) que eu  fiquei pensando onde estaria o “espírito de criança” dentro de cada um (lembrando aquele post que fiz no dia das crianças). Fiquei me perguntando se as pessoas conseguem mesmo ficar “séria”/ de um modo adulto a todo momento, até mesmo com seus entes mais queridos e em situações mais descontraídas, como com amigos ou famílias.

Fiquei me perguntando se é isso que é ser adulto (porque, sinceramente? Isso está bem longe para mim)

Situações assim diminuem aos poucos a minha esperança na sociedade, sendo bem sincera.

Espero que vocês não se esqueçam de como é ter um pouco de distração e alegria na vida de vocês. Não há nada de errado em ser “bobo” em alguns momentos simplesmente porque você se sente feliz.

Lembre-se: NÃO é proibido rir ou se divertir/ser feliz na academia ou em qualquer outro lugar que você for (dependendo da situação também, CLARO)

 

 

Aquela sou eu

A garota que vive com o cabelo bagunçado. Aquela que, quando se dá conta de si mesma, está olhando para o horizonte novamente. Aquela que todos na sala acreditam ser a “certinha”, a que nunca faria algo “impróprio”, a que sempre vai bem em todas as provas, com certeza. Aquela que não liga nem um pouco para a opinião dos outros, mas que busca o “apoio” daqueles que ama. Aquela que é covarde, mas que tem medo de admitir. Aquela que se esconde, mas que deseja que os outros a percebam. A que acha que tem algo a mais, mas que os outros parecem não enxergar. A que enfrenta problemas de confiança constantemente. A que busca um sentido para sua vida. Aquela mesma que canta baixinho e até arrisca dançar, mas que os outros parecem não perceber.

A garota que é geralmente mal interpretada por muitos. Sim, aquela mesma que só quer espalhar um pouco de amor para os que estão à sua volta.

Pois é, aquela garota sou eu.

5 passos para cultivar o amor 

Compreender que as diferenças existem sim e que isso não é nada ruim

Imagina como o mundo seria incrivelmente chato se fôssemos todos iguais? Entender que somos diferentes, mas, ao mesmo tempo, iguais como seres humanos e  que merecemos as mesmas chances é o primeiro passo para que o amor seja cultivado, na minha opinião.

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…e, a partir disso, aprender a respeitar os outros e suas decisões

Às vezes (o que deveria acontecer sempre), as pessoas não se preocupam com que as outras pensam. Sei que pode doer um pouco no ego de alguns, mas, existem várias situações em que a nossa opinião não importa nem um pouco. Como já diziam os mais velhos:

“Se você não tem algo bom para dizer, então não diga”

Gostou de algo e tem um elogio? Ótimo, cultive o amor, tenho certeza de que a pessoa ficará muito feliz. Não gostou? Odiou? Não faria a mesma coisa? Não tem problema também, ninguém disse que você precisa gostar também. Apenas siga com a sua vida, não espalhe ódio por aí criticando cada decisão ou escolha de alguém. A vida é dela/dele, não é? Nada mais justo do que ela/ele escolher o que quer ou não quer, o que deve ou não fazer.

Sabe de uma coisa, não precisa nem “ser educado” e dizer algo que não é verdade para você apenas por esse motivo 🙂 Apenas não aplique na sua vida e seja feliz.

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(Imagem)

Sem julgamentos, por favor? Obrigada, de nada.

É necessário priorizar a quebra do famoso “ciclo de ódio”. Não se engane, não cultive o ódio no lugar do amor. Ao fazermos julgamentos, estamos apenas espalhando um sentimento ruim que não ficará apenas conosco, mas que se espalhará com capacidade igual ou superior ao do amor.  Acho que é válido ressaltar aqui também: Para que criar rótulos, para que criar padrões? E por que continuamos fazendo isso mesmo sabendo que a sociedade (e as pessoas dentro dela) é uma coisa viva, muito maior do que tudo isso?

 Aprender a enxergar as coisas boas ao invés das ruins

Não estou dizendo que você precisa concordar com tudo e ser a senhora/senhor “fazedor de elogios”, mas é fato que um elogio ou outro, aqui ou ali, podem e fazem diferença na vida dos outros, às vezes, até mais do que nós imaginamos. Então, como já disse, ao invés de criticar alguém por algo de que você não gostou (e que, na verdade, não precisa da sua aprovação), por que não tentar ver algo bom nela? Tanto na aparência quanto na personalidade, não importa, aprenda realmente a cultivar o amor ❤ E, mais uma vez, digo que isso não significa que você precisa achar tudo lindo e maravilhoso, mas sim, que apenas devemos aprender a filtrar um pouco mais o que dizemos 😉

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Cada um é cada um

Mais uma vez, reforço que as coisas variam muito de pessoa para pessoa, de situação para situação, então aprender a ser mais aberto para com os outros e até para com você mesmo (isso serve se você costuma comparar-se muito com as outras pessoas) é muito importante para qualquer tipo de amor. Ou seja: cada um é único e perfeito do seu próprio jeito e devemos aprender a respeitar isso ❤

Às seis horas da tarde

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Às seis horas da tarde, esperava na frente da escola. Às seis horas da tarde, pessoas riam e se divertiam perto de mim. Às seis horas da tarde, alguém morria. Às seis horas da tarde, alguém estava insatisfeito com seu próprio corpo. Às seis horas da tarde, alguém enfrentava trânsito após um longo dia de trabalho. Às seis horas da tarde, alguém chorava. Às seis horas da tarde, alguém agradecia por sua vida. Às seis horas da tarde, alguém conversava com uma pessoa da qual sentia saudades. Às seis horas da tarde, alguém se encontrava com um ente querido…

Às seis horas da tarde, alguém era violentado. Às seis horas da tarde, alguém passava fome. Às seis horas da tarde, alguém transmitia conhecimento. Às seis horas da tarde, alguém aprendia algo novo. Às seis horas da tarde, uma pessoa se deparava com um milagre, enquanto outra praticava um ato de gentileza para com os outros.

Às seis horas da tarde, os carros se moviam, a cidade estava agitada, as luzes começavam a timidamente se acender…

Às seis horas da tarde, as crianças brincavam na rua do meu condomínio. Às seis horas da tarde, o sol se punha, nos dando um sinal de que talvez, sim, ainda existam coisas muito belas nesse mundo.

Às seis horas da tarde, um bebê nascia.

Às seis horas da tarde, eu recuperava o amor, a gentileza e a esperança dentro de mim.

A escolha de quem você é depende apenas de você

1: Essa roupa fica ridícula em você, por que está usando?

2: Porque eu gosto do modelo, e acho que combina comigo.

1: Parabéns, você acabou de pagar mico na frente das outras pessoas.

2: O que eu posso fazer? Todo mundo erra, não tem como evitar.

1: Você é uma inútil.

2: Mas…

1: Uma hora ou outra as pessoas com certeza vão te abandonar, vão te achar desinteressante e vão desistir de você.

2: …

1: Inútil, ridícula, desnecessária.

1: Parabéns, você acabou de atrapalhar uma pessoa.

1: Se desculpe, você sabe que é um incômodo.

(Para onde foi a voz 2?)

Gritei um silêncio bem alto. Mas não sei se adiantou, aquelas vozes estavam (literalmente) dentro da minha cabeça.

***

Essa é a realidade que eu tenho vivido nos últimos dias. Sim, eu estava sofrendo principalmente por minha causa. Não conseguia aquietar essa voz chata e irritante que insistia em aparecer a cada segundo da minha vida, me julgando, me acusando como qualquer outra pessoa faria, me dizendo “Parabéns” de maneira irônica, me achando ridícula, me perguntando o porquê de eu ser assim, me fazendo me sentir insatisfeita comigo mesma e completamente inútil.

Até que eu percebi: Por que eu estou fazendo isso? Por que EU, aquela que me conhece melhor, aquela que sabe de toda a minha história, aquela que sabe tudo o que eu passei e tive que enfrentar para chegar até aqui tem que me julgar desse jeito? Por que eu não poderia simplesmente aprender a ser gentil não só com os outros, mas, e principalmente, comigo também?

Por que eu não poderia aprender a ser a MINHA melhor amiga? A dar voz àquela voz que tenta me entender, que vê o meu verdadeiro lado das coisas, que não me coloca para baixo, que me nutre esperanças, que é positiva, que tenta me ajudar, que não me deixa desistir?

E foi aí que eu percebi: a escolha de qual lado de você mesma seguir depende apenas de você.

E então, para quem você concederá o direito de falar?

Só pra não dizer que não falei dos mendigos

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Sinceramente, se me perguntassem se eu gostaria de morar na grande cidade de São Paulo, eu responderia que não. Para alguns essa resposta pode parecer estranha. Para outros, não. Eu sei, é um grande centro comercial, há várias coisas interessantes para se fazer nela, pessoas diferentes para se conhecer. Mas, ao mesmo tempo… Bem, tudo tem sua parte obscura.

Sempre que vou visitar a cidade (o que foi o caso do dia de hoje) eu não consigo deixar de reparar em toda a energia negativa que de certa forma ela parece atrair. Eu sei, pode parecer uma coisa da minha cabeça, porém, lá no fundo, eu sei que não é.

Apesar de ter consciência de que isso ocorre em várias outras cidades, inclusive na minha (o que me deixa mais triste e desanimada ainda),parece que todas as coisas adquirem tons de cinza ao ver, diante dos meus olhos, lixo, pessoas dormindo em lugares inapropriados (talvez morrendo de fome ou frio enquanto escrevo essas palavras) e, acima de tudo, a reação dos outros ao redor, parecendo agir (ou tentando) como se nada daquilo estivesse acontecendo.

Mas aí é que está. Por que nós precisamos fingir? Será que ver todas essas “falhas” da realidade afeta tanto assim o nosso ego, a imagem que temos da própria realidade?

Por que ao nos deparamos com esse tipo de situação nosso primeiro instinto é desviar os olhos? Por que temos tanto medo de encarar o que resultou de tudo isso que nós mesmos como sociedade geramos?

Calma, eu não estou dizendo que a culpa daquele mendigo estar naquela condição seja sua. Mas, pense bem, não falam que quando uma testemunha não denuncia algum crime ela é tão culpada quanto o próprio criminoso? Isso não se aplicaria a essa situação que estamos tratando também?

Sempre me pego pensando nisso e concluí que talvez a resposta para todas essas perguntas seja sim.

Sim, nós temos medo de encarar esses desvios. Sim, nós temos medo de acabar em uma situação parecida. Sim, nós temos medo de fazer alguma coisa para solucionar com medo de que acabemos sendo nós os prejudicados, mesmo eu e você sabendo que, se algo acontecesse, provavelmente a culpa não seria do pobre coitado que está ali sem lugar para dormir ou sem comida para se alimentar.

Sim, talvez nós tenhamos medo de reconhecer a desigualdade escancarada na nossa cara, e não em um livro de escola ou na tela da televisão. E SIM, lá no fundo isso nos incomoda.

Não sei com vocês, mas EU nunca vi alguém parar perto de um mendigo e oferecer ajuda. Gastar um pouco do seu tempo que fosse para encará-lo, para oferecer algo para comer, algo para beber ou até mesmo para dizer palavras de consolo que o encham de esperança. Se você faz isso ótimo, parabéns, acho que posso dizer que você está agindo como um “verdadeiro ser humano”. Se não (assim como eu), por que não?

Mas nós podemos pensar numa solução, não podemos? Nós podemos NÃO NOS CONFORMAR com tal situação e lutar juntos para que isso não afete mais ninguém nesse mundo. Porque, meu caro, você precisa concordar comigo que a chance daquela pessoa estar no meio disso tudo por culpa dele/dela é extremamente ínfima se não nula.

E é por isso que lanço aqui a minha pergunta: O que você sente ao ver um mendigo? Ou talvez a melhor opção seja: O que nós deveríamos sentir ao ver um mendigo? Ao ver um ser humano, a nossa semelhança, em sua situação tão diferente da nossa?

(Já deixo claro que meu objetivo aqui não é responder nenhuma questão sozinha e de forma definitiva, mas sim promover o questionamento e o pensamento nem que por alguns minutos apenas.)

Falando nisso, devo dizer que percebi que a “variedade” é bem grande até mesmo dentro do grupo. Vi pessoas que não pareciam pertencer àquele lugar. Vi uma pessoa mais idosa com a perna quebrada encostada em um “monumento” conversando com um cara fumante sem camisa. Vi dois caras que não devem ser mais velhos do que o meu pai prestes a dividir uma comida que vinha em uma pequena embalagem quadrada de isopor. (E com certeza deve haver alguma criança ou cachorro passando fome por aí também, já que isso geralmente promove ainda maior abalo…)

Engraçado que no mesmo dia também vi estrangeiros. Também vi pessoas na mesma condição financeira que eu. Pessoas que tem uma “vida boa” e acesso a tudo o que é necessário ao conceito mais básico de vida: comida, moradia, saúde…

Em resumo o que quero dizer é: não devemos julgar ninguém pela situação em que se encontram, mas devemos SIM nos tornar conscientes dos motivos que podem causá-las e lutar para eliminá-los de uma vez por todas.

Afinal, somos todos seres humanos.

 

Timidez – defeito ou parte de quem você é?

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Na última semana e nessa não tivemos/teremos Apanhados da semana por motivos de: não consegui reunir coisas suficientes 🙂 Mas logo que isso acontecer teremos mais post da categoria o/

Hoje iremos falar (sim, iremos, eu e você) sobre uma realidade que tenho certeza de que não é só minha, mas de muitas outras pessoas também. Sim, eu estou falando de ser tímido.

Como lidar com uma coisa que muitas vezes atrapalha a nossa vida, mas que também pode não ser tão ruim quanto você pensa? Vamos começar? 🙂 (Só avisando que isso não será nenhum post de auto-ajuda do tipo “Como se livrar da timidez” ou “Como deixar de ser tímida/o”. Pelo contrário, quero mostrar que ela pode ser muito mais do que isso)

Bom, primeiramente, de onde surgiu a ideia desse post? Por um outro do blog Janela de memórias, intitulado A Internet a favor dos tímidos. Vocês não fazem ideia do quanto eu me identifiquei com esse post haha

Já este aqui pode não ter um rumo muito bem definido, mas espero que sirva pelo menos como uma conversa de pessoa tímida para pessoa tímida. Eu e você. Combinado?

Porque, sim, eu me reconheço como uma pessoa tímida e sei muito bem que isso não é de agora. Desde criança sou assim, é uma coisa que nasceu comigo e, poderia até dizer, que faz parte da minha personalidade, do jeito que eu sou.

E claro que as coisas eram muito mais difíceis antes da internet chegar e mudar tudo (literalmente).

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Bom, para começar, devo dizer que nunca fui daquelas pessoas que puxava assunto com qualquer outra facilmente e que conhecia todo mundo na escola (pelo contrário). Porém, para ser bem sincera, eu nunca me importei muito com isso. Depois que tive alguns problemas com amizades no ensino fundamental, hoje eu percebo que amizades, amizades mesmo (da pessoa realmente te conhecer, saber seus gostos, estar aberta aos seus problemas etc) são poucas e não vejo nenhum problema nisso.

Mas há pessoas que se sentem incomodadas, que gostariam de parecer/ser mais simpáticas com as outras, que gostariam de amenizar esse “impasse” que muitas vezes se mostra a timidez. Que gostariam de se permitir ser mais abertas. E aí que vem uma grande questão: É possível deixar de ser tímido?

Não diria que é impossível. É um pouco difícil? Sim. Porém existem várias maneiras de amenizá-la, disso eu tenho certeza. Em muitos casos, isso depende muito mais de um esforço da pessoa do que de qualquer outra coisa. Em deixar um pouco de lado o que as pessoas possivelmente podem pensar e manter em mente o que tudo isso pode trazer de bom para você. Novas amizades? Pessoas com quem se identifique? A abertura de outras pessoas como você? A sensação de poder se sentir você mesma? (Uma exceção – que na verdade não se enquadra nem em timidez – seria o da social anxiety, que vocês já me viram e continuarão vendo comentar por aqui, mas isso é assunto para outro post).

É meio que um buraco sem saída, um risco a se correr? Sim.

Mas muitas outras coisas na vida também são.

São raras as oportunidades que as pessoas tímidas vivenciam de realmente poderem dizer o que se passa na cabeça delas ou de fazerem as coisas fluírem com maior facilidade. Apesar disso, nada impede que ela se aceite do jeito que é. Aliás, acredito que a aceitação própria seja a chave para ambos os casos nessa situação. Afinal, como mudar a maneira como se comporta sem reconhecer que ela existe em primeiro lugar? E como continuar vivendo assim sem realmente se aceitar do jeitinho que é?

Eu, por exemplo, não me importo mais tanto em ser tímida. Mas isso talvez seja porque eu consegui amenizar essa característica minha. Ela não sumiu de mim totalmente e, justamente por isso, eu acho que ela sempre fará parte de mim. E o que eu fiz então? Eu me aceitei dessa maneira.

Eu não tenho (mais) vergonha de fazer uma pergunta na sala de aula. Eu não tenho (mais) vergonha de me abrir com os meus amigos mais íntimos (Coisas essas que consegui superar lidando com a minha timidez). Eu ainda não gosto de falar em público, mas sei que consigo fazer isso quando necessário (talvez não seja “a melhor”, mas sei que é o meu melhor). Ainda não sou daquelas pessoas que consegue puxar certos assuntos facilmente, mas, em compensação, tento deixar claro às pessoas mais próximas de mim que eu sempre estarei lá para o que elas precisarem.

Entendem o que eu quero dizer? Entendem a diferença entre ser tímido por saber lidar com a timidez e ser tímido por “falta de escolha”?

Às vezes, ser tímido nos ajuda a pensar melhor nas nossas ações ou próprios pensamentos antes de dizer alguma coisa (o problema está quando isso é excessivo). Não estou dizendo que as pessoas mais sociáveis digam tudo da boca para fora, mas sim, que elas podem acabar sendo mais suscetíveis a isso.

Ser tímido pode nos tornar mais misteriosos ou chatos na visão de algumas pessoas, mas também pode ser o fato atrativo para que outras venham nos conhecer.

Ser tímido pode fazer parte da gente e não necessariamente ser algo ruim.

Também não quero dizer que todos os tímidos deveriam fazer o mesmo que eu. Sei muito bem que essa decisão cabe a cada um. Mas posso dizer que a mudança é possível sim.

Se existe saída para os tímidos? Acredito que sim, a internet está aí para isso (desde que ela não seja a única saída), porém eu ainda prefiro levar em conta que a própria aceitação ou o desejo maior de mudança seja mais poderoso do que qualquer outra coisa.

A escolha é sua. Nunca tenha medo de seguir o caminho que (mais) deseja.

F. (uma garota tímida)